Dificuldades Sexuais
Entre o desejo, o sintoma e a repetição
A sexualidade não se reduz ao funcionamento do corpo. Mesmo quando não há nenhuma alteração orgânica, o desejo pode falhar, recuar ou se tornar fonte de angústia. Nessas situações, as dificuldades sexuais costumam dizer algo da relação do sujeito com o próprio desejo, com o outro e com aquilo que se repete na sua história.
Bloqueios no prazer, diminuição do interesse sexual, ansiedade diante do desempenho, culpa, vergonha ou dificuldade de entrega podem surgir em diferentes momentos da vida. Muitas vezes, esses impasses se intensificam em períodos de estresse, conflitos nos relacionamentos, esgotamento emocional ou em fases de mudança e transição.
Na clínica, a sexualidade é compreendida como uma dimensão atravessada pela história subjetiva. Fantasias e fetiches fazem parte da experiência humana e não são, em si, um problema. No entanto, quando assumem um caráter rígido ou repetitivo, podem limitar o campo do desejo e produzir sofrimento. Essas repetições falam de modos singulares de lidar com o prazer, a falta e a alteridade.
Há pessoas que convivem com essas dificuldades em silêncio, acreditando que deveriam resolvê-las sozinhas ou que se trata de algo banal. Ainda assim, o corpo acaba sendo convocado a sustentar aquilo que não encontra palavras, aparecendo como tensão, evitação, angústia ou afastamento da intimidade.
A escuta clínica oferece um espaço para falar sobre a sexualidade sem julgamento ou moralização. Ao colocar em palavras o que causa estranhamento ou insiste como repetição, torna-se possível deslocar o sofrimento do corpo e ampliar a relação com o próprio desejo.
Quando a sexualidade deixa de ser um lugar de encontro e passa a ser vivida com angústia, a psicoterapia pode abrir espaço para novas formas de compreensão e de relação consigo e com o outro
Se você se reconhece em parte do que foi dito aqui, pode ser um passo importante buscar um espaço de cuidado e escuta.